Tecnologia Militar – A necessidade e a oportunidade de modernização dos sistemas legados

O desenvolvimento de produtos no meio militar, em contraste com a norma capitalista da “obsolescência programada”, concebe sistemas feitos para durarem décadas.

O documentário “The Light Bulb Conspiracy” [1] nos dá uma visão capitalista e maquiavélica das empresas que planejam obter lucro programando seus produtos para falharem.

Uma impressora Epson foi descoberta com um contador interno num chip, que instruia a parada da mesma após um número determinado de impressões [2].

Nos meios militares, sistemas concebidos há mais de 50 anos encontram-se em pleno funcionamento, muitas vezes exigem mínima manutenção, independente da letalidade do mesmo.

Algumas obras cinematográficas já realizaram paródias sobre o caso, como no caso do filme “Johnny English Strikes Again” [3] onde não era recomendado utilizar nenhum aparelho celular próximo a um submarino nuclear antigo, o que ocasiona o envio de um míssel balístico inadvertidamente.

Sistemas de lançamento de mísseis nucleares oriundos da guerra fria ainda encontram-se em atividade, alguns com “senha padrão” composta de oito zeros, outros com “flashcards” postados online[9], causando vazamento de informações sensíveis.

Numa época em que as guerras eletrônicas[6] e cibernéticas[5] evoluíram o suficiente para causar preocupação, respostas cinéticas[7], e até mesmo a capitulação de nações com poderio bélico nuclear, a necessidade de modernização segura de muitos desses sistemas é uma ótima janela de oportunidade para realizar novos negócios e aumentar nosso poder de dissuasão nesta área.

Ao invés de um código estático configurado manualmente num lançador de mísseis, a tecnologia de chaves pública/privada e curvas elípticas de hoje, nos permite ter códigos que mudam a cada X horas ou minutos, e as sementes para o cálculo dos códigos podem existir apenas na mala presidencial e/ou no alto comando das forças armadas.

Tendo em vista as recentes evoluções nos chamados ataques a cadeia produtiva [8], nada mais interessante que desenvolvermos um HSM “padrão militar” com tecnologia 100% nacional – alguns chips ainda precisam ser importados.

O prolongado tempo de vida de veículos e armas abre um espaço enorme para a indústria, no que tange a modernização, como a adição ou substituição de sensores, e outros dispositivos analógicos mais propensos a falhas mecânicas. Alguns microchips atuais [4], padrão militar, possuem tempo de vida de mais de 50 anos, contagem feita, claro, a partir de testes que multiplicam, às vezes em fatores de centenas de vezes, suas operações, para estimar o tempo de vida dos mesmos em laboratório.

[1] https://www.imdb.com/title/tt1825163/
[2] https://therestartproject.org/design/triumphing-together-against-planned-obsolescence/
[3] https://en.wikipedia.org/wiki/Johnny_English_Strikes_Again
[4] https://www.microchip.com/wwwproducts/ProductCompare/ATECC608B/ATECC608B-TCSM
[5] https://www.theregister.com/2016/06/22/cyber_warfare_future_stuxnet/
[6] https://www.maritime-executive.com/article/gps-spoofing-patterns-discovered
[7] https://www.bbc.co.uk/news/uk-34078900
[8] https://www.fireeye.com/blog/threat-research/2021/03/sunshuttle-second-stage-backdoor-targeting-us-based-entity.html
[9] https://www.bellingcat.com/news/2021/05/28/us-soldiers-expose-nuclear-weapons-secrets-via-flashcard-apps/

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