As Oportunidades no Afeganistão pós-guerra

Sem citar a lista de todos os grandes impérios que invadiram o Afeganistão e eventualmente caíram após a retirada:

  • Em 1919, o Império Britânico invadiu o Afeganistão. Algum tempo depois o Império Britânico caiu.
  • Em 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão. Algum tempo depois a União Soviética caiu.

Em outubro de 2001, os norte-americanos investiram seu poderio militar contra o Afeganistão, sob o pretexto de dar uma resposta a al-Qaeda por ter dado cobertura a Osama Bin Laden.

Mas o que poucos sabem é que o governo do Afeganistão, à época, se ofereceu a entregar ou infligir restrições disciplinares ao supra-citado Osama Bin Laden, caso os EUA se dispusessem a informar provas de que o mesmo teve participação em atentados, o que não ocorreu.

Tentativas de obtenção de tais provas podem ter sido realizadas por agências policiais e de inteligência estadunidenses, européias e israelenses; além de aliados, companhias privadas e detetives particulares junto a familiares ; mas ao que tudo indica, foram todas exemplarmente frustradas. O presidente dos EUA, à época, explicitamente escolheu não informar tais provas, caso existissem, nem negociar termos, em contradição às normas da ONU.

Apenas exigiu rendição total e incondicional, o que não foi aceito, levando Osama a se aliar a parceiros mais confiáveis em suas palavras e ações.

Os relatórios de agências da Inteligência dos EUA, indicavam que a força nacional previamente treinada e aparelhada pelos estadunidenses, seria capaz de resistir por um período de 3 meses a 1 ano, antes da queda de Cabul, o que não ocorreu. Houve “mais uma” falha da inteligência estadunidense.

Em relação a costumes, temos Arábia Saudita, perfeitamente incluída na geopolítica mundial, com valores e costumes extremamente parecidos com os dos representantes do Afeganistão atual. Já temos países asiáticos em conversas produtivas com os mesmos, com projetos de mineração aguardando retomada. O que temos naquela região, hoje, é um grupo que acumulou grandes espólios de uma guerra que durou 20 anos, de aeronaves, drones a carros de combate, armas leves, material de inteligência e equipamentos biométricos.

No que se refere a um estado, o poderio bélico está intrinsicamente ligado a sua capacidade de dissuasão frente a ameaças externas. Alguém acha utópico termos 100% das fronteiras brasileiras vigiadas, com drones controlados e integrados a um sistema de comando e controle? Não é. E salva vidas de militares destacados nessas regiões.

Os equipamentos militares, incluindo softwares, e as informações relacionadas a inteligência, são sim de grande valia.

Porém, os recursos minerais do Afeganistão, avaliado na casa dos trilhões de dólares, e totalmente de acordo com a nova indústria elétrica mundial, me obrigam a reavaliar nossa interação com os mesmos:

  • Valeria a pena manter uma aliança comercial/estratégico/militar com determinado país, com tantos recursos interessantes e carente de parcerias para transformar, analogamente, “ouro bruto guardado” em “finas jóias”?
  • Ou valeria mais a pena mantermos uma outra parceira estratégica e o “status-quo” que possuímos há algumas décadas com nações antagônicas aos mesmos, nações estas que repetidamente freiam nossas ambições de projeção de poder, bloqueando nosso progresso, num clássico exemplo de neo-colonialismo?

O Paquistão é, sem dúvida, um dos maiores interessados em material de inteligência proveniente daquela região.

Porém, para Rússia, China e Irã, considerando além dos valiosos recursos minerais, creio que a paz regional seja a maior moeda de troca.

Apenas interações reais levam ao progresso.

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