
v1.2
Nossos principais produtos de exportação, em pleno ano de 2023, são primários, nos mesmos moldes de 500 anos atrás – colônia exportando cacau e importando chocolate, ou minério de ferro e importando aço, ou exportando petróleo cru e importando produtos refinados [1]. Algo não está certo.
Recentemente li artigos que citam que o Irã está interessado em adquirir algo como 40 aeronaves da Embraer. [2]
Empresas do Irã já substituem a Siemens da Alemanha no design de partes de turbinas à Rússia [3], carros [4], sem contar os drones Iranianos que até alguns anos atrás eram motivos de chacota [5] – muitos países do Ocidente diziam tratar-se de animação produzida via computador. Mostraram que o produto era bem real [6].
Com grande parte dos motores, aviônica e sistemas gerais sendo produzidos por Estados Unidos e Europa, a Embraer fica claramente passível de controles de exportação a “países não alinhados” com os fornecedores de tais partes “mais avançadas” [2].
Porém uma ordem de compra de tal magnitude nos faz pensar em encontrar alternativas viáveis.
Vejamos o exemplo da China, que em poucos anos foi capaz de produzir o C919 Jetliner com partes totalmente “indígenas” [7]. Provavelmente entra no mercado nacional em março de 2023. Está em fase de testes e já voou entre uma dezena de aeroportos, já possui pilotos e pessoal de manutenção treinados. Alguns países como a Nigéria já pensam em comprá-lo.
Voltando ao mercado brasileiro, sem pagar os bilhões acordados previamente, a Boeing se retirou de uma Joint-Venture com a Embraer, no último minuto, após ter conseguido listas confidenciais de negócios e engenheiros da Embraer.
Tendo o Irã se mostrado capaz na produção de turbinas industriais e outros itens de aviação, seria uma Joint-Venture viável?
As partes passíveis de controle de exportação a outros países podem ser quão facilmente substituídas pelos componentes indígenas, a serem produzidos pelos 2 países interessados?
Parte dos motores, aviônica e sistemas gerais certamente já são utilizadas em outras indústrias, especialmente na de defesa do Irã.
Também temos engenheiros brasileiros capazes de produzir tais sistemas e peças – pelo menos os que ainda não foram “exportados / cooptados” a saírem do Brasil ou de empresas nacionais pela Boeing [8]. A lista de empresas nacionais que perderam recentemente capital humano super-qualificado para a supracitada Boeing inclui Embraer, Akaer, Avibras, AEL Sistemas, Safran, Mac Jee, entre outras.
O que não podemos é continuar exportando produtos primários e engenheiros qualificados, e importando produtos manufaturados. A balança comercial agradece.
[1] https://www.estadao.com.br/economia/celso-ming/a-petrobras-e-as-refinarias/
[2] https://aeromagazine.uol.com.br/artigo/lula-quer-ajudar-a-embraer-a-vender-avioes-ao-ira.html
[3] https://www.rt.com/news/565206-iran-supply-gas-turbines-russia/
[4] https://www.rt.com/business/567333-iran-russia-car-export/
[5] https://www.theregister.com/2012/11/28/iran_drone/
[6] https://www.rt.com/news/569062-us-iran-drones-measures/
[7] https://www.gizmochina.com/2023/01/30/chinas-indigenous-aircraft-c919-maiden-passenger-flight-march/
[8] https://www.jb.com.br/pais/justica/2022/12/1041053-boeing-assedia-engenheiros-brasileiros-e-coloca-em-risco-setor-aeroespacial-nacional-diz-analista.html