
Ferias em São Paulo, peguei o ônibus de noite e fui ver amigos que só conhecia via IRC.
Cheguei na casa de um deles, que foi escalado para a minha recepção, tirei o disco rígido da mochila, ele montou um computador a partir de umas partes jogadas num canto, e pronto – estávamos os dois online no mesmo quarto.
Conectamos na #undernet, entramos no canal, saudamos alguns conhecidos, dissemos que estávamos juntos.
Alguém teve a ideia de algum projeto novo, começamos a programar, mas ficou tarde e o código ficou em algum canto do HD e fomos dormir.
No dia seguinte conheci os pais desse amigo, gente boa e humilde. Comemos, demos uma volta no bairro e conversamos sobre coisas da adolescência. Almoçamos, voltamos aos computadores e retomamos a programação.
A noite estava reservada para um outro amigo, mais velho porem que só conhecia também via IRC, trabalhava numa conhecida empresa. Íamos numa boite gótica.
Ao chegar, o ambiente era tomado de fumaça de cigarro e outros fumígenos, algumas frases de Baudelaire e outros poetas escritas na parede.
Fui pra pista de dança, me separei dos recém-conhecidos da vida real, e apos fui tomar um ar numa área externa.
Enrolei um cigarro, comecei a fumar, e alguns estranhos chegaram juntos. Eram 2 mulheres e 1 homem, todos paulistas. Nos apresentamos, disse ser carioca, uma delas disse que se mudaria para o Rio dentro de 1 mês e por isso trocamos telefone.
Estava perdido nas frases de Baudelaire escritas nas paredes, não percebi que os 3 tinham sumido e que um segurança se aproximou e disse que eu não podia fumar ali, o que obedeci de pronto, pedindo desculpas, apagando o cigarro e dizendo não ser da região.
Reencontrei os amigos e fomos para casa.
Nos próximos dias mais códigos e IRC dentro de um quarto relativamente pequeno, mais ideias iam se agregando ao projeto, e algo maior ia tomando forma. Algo com muitos módulos, em diferentes linguagens de programação, além de assembly, que era a base.
Voltei ao Rio, e esperava ansioso a ligação daquela menina magrinha, um pouco intrigante, de um branco muito pálido, de olhos e cabelos negros. Ela não ligou.
Liguei para ela apos algumas semanas, ela pediu desculpas e disse que o namorado pediu o maco de cigarros, onde o telefone estava escondido, e para ele não ver, ela jogou o maco fora. A explicação convenceu e me ofereci a mostrar o Rio de Janeiro para a paulista recém-chegada.
Nos encontramos na Barra da Tijuca, ao vê-la, estava com um vestido preto e com uma garrafa de vinho. Bebemos no gargalo toda a garrafa, e a convidei a ir a boite Bunker.
Dançamos bastante, mas nessa época eu ainda gostava mais de computadores do que do sexo feminino. Ela tomou a iniciativa e me ofereceu uma bala, quando fui pegar ela falou para pegar a que estava em sua boca, e assim começamos a ficar mais íntimos.
Fomos a varios outros lugares juntos, nos conhecendo mais. Experimentamos algumas coisas novas.
Com o passar dos anos viramos amigos íntimos. Combinamos que não importava quem estivesse namorando, mas se nos encontrássemos, tinha que rolar alguma coisa. Ficou divertido e com uma sensação de meio proibido, porque quase sempre um dos dois estava num relacionamento, e tínhamos que improvisar.
Tive um breve relacionamento com uma pessoa próxima a ela, e a relação ficou prejudicada quando ela descobriu nossa falta.
Apos alguns meses o projeto computacional se materializou, feito a mais mãos do que era previsto, com pessoas de mais países do que esperávamos.
Ela se mudou para longe com outra pessoa. Perdemos o contato, acho que ela viajou mais do que deveria, mas não tenho certeza.








