A Segurança Cibernética, a Comunicação Institucional e a Soberania Nacional

brasil_ipad.jpg

Assim como uma ferrovia, a internet é regida por um protocolo chamado BGP, onde diferentes provedores trocam trafego baseado em acordos comerciais, troca mutua, e redundância para evitar que links caiam e fiquem indisponíveis. É como se a ferrovia passasse por diferentes países, e se um dos trilhos tivesse problemas, ocorre a simples virada de uma chave, na maioria das vezes automaticamente, e então o trem poderia seguir pelo outro trilho sem problemas.
Caso queira conhecer mais sobre essa “comutação” de caminhos virtuais da internet, leia mais sobre o protocolo BGP e sobre Peering.

Porem, ao confiar que seu “trem” (uma analogia aos seus dados, como um acesso a uma pagina Web ou uma conversa do WhatsApp) passe por trilhos de outros países, pode ser que atores mal-intencionados decidam “bisbilhotar” ou ate mesmo “desviar” seu trem do destino original dele.

Sabemos que a maior parte do conhecimento científico nacional é produzido nas nossas universidades. Também é do conhecimento publico que agências de segurança governamentais de outros países se empenham em “hackear” os servidores de conteúdo, principalmente de e-mail, e quando não conseguem, emitem “intimações secretas” que obriga tais provedores a fornecerem, secretamente, os dados armazenados neles, e o mesmo não pode revelar que entregou as informações dos seus usuários.

A Soberania Nacional estaria garantida no caso de uma universidade guardar toda a comunicação de uma pesquisa científica valiosa, financiada com capital da União, em servidores hospedados nos EUA, na Inglaterra ou na Irlanda? É admissível que servidor de e-mail de uma entidade governamental esteja hospedado fora do país?

Recentemente, a Rússia levou tais preocupações técnicas ao nível politico, avançando uma lei que pretende isolar toda a internet do país do trafego internacional. Na minha opinião, não é preciso ir tao longe, mas segundo Thomas Jefferson: – “O preço da liberdade é a vigilância eterna”.

Caso você use o sistema operacional Windows, existe uma ferramenta chamada “tracert.exe”, que te mostra os caminhos da chamada “ferrovia virtual” que levam seus dados desde a sua maquina ate a página que você acessa. Já utilizou a ferramenta alguma vez? Não? Então faca o teste !

Peguemos por exemplo o site do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), abra o prompt de comando (cmd.exe) e rode o seguinte comando: tracert.exe “www.gsi.gov.br”
Por onde passam seus pacotes?
Veja um exemplo realizado no sistema operacional Linux, a partir da rede da UFRJ:
Tracing the path to http://www.gsi.gov.br (170.246.252.25) on TCP port 80 (http), 30 hops max
1 rt-ct-bloco-G.ufrj.br (146.164.5.129) 11.096 ms
2 10.146.3.25 0.553 ms
3 200.20.98.245 3.127 ms
4 200.20.96.23 0.923 ms
5 200.20.96.24 1.542 ms
6 200.20.96.6 1.903 ms
7 rederio-rj.bkb.rnp.br (200.143.254.138) 1.383 ms
8 sp2-rj-oi.bkb.rnp.br (200.143.253.221) 9.069 ms
9 as266031.saopaulo.sp.ix.br (187.16.223.155) 24.937 ms
10 vpn-pr.planalto.gov.br (170.246.252.2) 26.423 ms
11 170.246.252.25 [open] 25.616 ms

Agora veja outro exemplo rodado a partir da rede da GVT em Goias, também a partir de outro sistema Linux:
1 DSL-2401HN2-E1C.DSL-2401HN2-E1C (192.168.15.1) 11.045 ms
2 gvt-b-sr02.bsa.gvt.net.br (179.184.126.18) 33.382 ms
3 179.184.83.75.dynamic.adsl.gvt.net.br (179.184.83.75) 25.475 ms
4 187-100-163-13.dsl.telesp.net.br (187.100.163.13) 39.393 ms
5 189-109-75-122.customer.tdatabrasil.net.br (189.109.75.122) 42.045 ms
6 *
7 201-20-71-5.dynamic.mobtelecom.com.br (201.20.71.5) 61.931 ms
8 *
9 *
10 *
11 vpn-pr.planalto.gov.br (170.246.252.2) 57.000 ms
12 170.246.252.25 (170.246.252.25) <syn,ack> 58.211 ms

Para chegar no servidor do GSI a partir do Rio de Janeiro, foram necessárias 11 saltos. A partir de Goias, foram necessários 12 saltos, porém temos 4 pontos no meio do caminho não identificados, pois os provedores que operam estes computadores provavelmente não querem a sua identificação – por motivos de segurança ou algum outro. Você pode utilizar a ferramenta chamada “whois” para pesquisar sobre onde se encontra cada um desses “endereços IP”.

Vamos pegar o IP do salto 4 do teste feito a partir de Goias, e acessar o seguinte site:
https://registro.br/2/whois
Podemos ver que esse IP pertence a “TELEFÔNICA BRASIL S.A”

Caso houvesse um IP internacional no meio do caminho, significaria que desde a sua casa ou local de trabalho, a visitar o site do GSI, você teria saído do país e depois retornado, para só então acessar um site governamental. Nas regras da internet, não existe nada de errado nisso, pois aquele caminho foi escolhido como o disponível na hora do seu acesso – ele pode mudar durante qualquer hora do dia. Porem em termos práticos, significaria que um usuário acessando um site do governo precisou passar antes por outro país. Eis o problema de jurisdição na internet.

Ja encontrei situacoes em uma empresa que trabalhei, que apos uma nova licitacao de provedores de internet, todo o trafego internacional obrigatoriamente passava antes por Nova York. Nao existe nada de errado nisso, porem devemos considerar com quais provedores de internet nos relacionamos, e qual a “politica de peering” do mesmo. Quando falamos em órgãos governamentais, a segurança deve ser redobrada.

Sabemos que mesmo em solo nacional, existem indivíduos e instituições dedicadas a investigações ilegais e trabalhando para ou em conjunto com governos estrangeiros, como já falei. As recentes notícias sobre vírus estrangeiros utilizados para espionagem politica no Brasil, inclusive tendo possivelmente sido utilizado como acessório no assassinato do famoso jornalista Jamal Khashoggi, nos levam a repensar a comunicação institucional no Brasil, principalmente em como melhorar a segurança dos dados dos nossos governantes.

Os servidores do WhatsApp estão localizados nos EUA, não seria o caso de utilizarmos um aplicativo nacional, com hospedagem em servidores seguros nacionais, para a comunicação institucional? Temos engenheiros de computação suficientes para realizar a programação de tais aplicativos e a configuração de servidores com baixo custo e em relativo curto espaço de tempo.

A Soberania Nacional na internet é uma questão complexa. pois as bordas virtuais da internet se sobrepõem de uma maneira que não existe paralelo no mundo físico, auxiliada por protocolos que a maioria das pessoas não sabem como funcionam. Precisamos melhorá-la.

A necessidade de um meio de pagamento integrado no BRICS

brics1

A nova ordem mundial deve ser multipolar. Já vivenciamos e sentimos até os dias de hoje, na pele e na lembrança dos nossos antepassados que lutaram e pereceram bravamente na II Grande Guerra, as consequências de demasiado poder nas mãos de poucos.

A Alemanha nazista possuía os melhores engenheiros assim como as melhores armas. A falta de balanceamento nessa distribuição de poder nos levou a perda de milhões de vidas em todos os continentes. Alguns autores alegam que estavam bem próximos de atingir o poderio nuclear, e os melhores engenheiros nucleares alemães, foram contratados pelos vencedores da II Grande Guerra.

Atualmente vemos este cenário começar a se repetir. Sanções unilaterais são impostas a países e instituições, e para garantir o cumprimento dessas imposições, nações ameaçam com bloqueios econômicos caso sua vontade não seja cumprida.

Recentemente vimos a Guarda Revolucionaria Islâmica (IRGC) do Iran ser declarada como organização terrorista (FTO) pelos EUA.

Tal declaração pode ser comparada a denominar os fuzileiros navais da Marinha do Brasil como organização terrorista, impedindo empresas e indivíduos de fazerem negócios com os mesmos.

Também vimos companhias americanas como Visa, Mastercard e Paypal se negarem a receber doações ou fazer negócios com o Wikileaks, além de outras operações que envolveram a contratação de mulheres para prestar queixas de abuso sexual contra Julian Assange.

Neste cenário, existe uma ótima oportunidade para integrar ainda mais os países do chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), potencialmente protegendo contra sanções unilaterais e a concentração do poder na mão de poucos atores no cenário do xadrez internacional.

A Rússia recentemente iniciou a expansão da sua rede Mir, estabelecido pelo banco central da Rússia em 1 de maio de 2017 por lei. A China também possui cartões com bandeira nacional.

No Brasil, temos a bandeira de cartões “Elo”, da antiga VisaNet, renomeada Cielo.

Uma integração das diferentes redes de cartões de crédito e débito nacionais entre os países do BRICS, transformando as mesmas numa rede internacional, permite um maior poder de negociação ao sentarmos na mesa para negociações. Ou mesmo a criação de uma nova bandeira. Uma alternativa tanto a Visa, MasterCard e AMEX quanto a rede internacional de pagamentos SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication).

Tal integração não é fácil, existem algumas incompatibilidades nos sistemas atuais, como por exemplo a falta de capacidade de realizar “chargeback” na rede Mir. Vai exigir grupos de trabalho e diferentes adaptações graduais tanto no hardware quanto no software dos meios de pagamento das companhias envolvidas, mas é viável e politicamente vantajosa.

Mirelo? UnionMir? EloUnion?

Está na hora de lermos novamente as especificações do EMV e começar a programar.

A Europa também deveria olhar para essa alternativa como forma de se tornar mais independente, e mais capaz de se opor a sanções ou quebras de acordo de forma unilateral, que vem prejudicando a paz mundial.

ATMs – É possível deixá-los mais seguros?

atm

Onde existe dinheiro, existirão atacantes se preparando para explorar vulnerabilidades. Com os ATMs (o famoso caixa automático), não é diferente.

Nações Europeias reportaram um aumento de 231% nos ataques apenas em 2017 [1]. São milhões de Euros perdidos por ano pela falta de segurança, um mal que assola não somente as instituições bancarias, mas também seus usuários, que podem ter seus dados roubados enquanto realizam uma simples transação realizada numa máquina comprometida.

Como protegê-los? Quais são os ataques que ocorreram, estão ocorrendo, e que a maioria do publico não tem ideia? Quais são as perspectivas de evolução destes ataques no futuro? As recomendações da Europol [2] são suficientes (e viavelmente econômicas para os bancos)?

Na minha palestra no ysts [3] pretendo falar sobre tais assuntos, e também em como ajudar as instituições bancarias a se prevenirem e aumentarem a segurança de seus sistemas.

[1] https://www.atmmarketplace.com/news/atm-logical-attacks-losses-across-europe-soar-230-percent-in-2017/

[3] https://www.ncr.com/content/dam/ncrcom/content-type/brochures/EuroPol_Guidance-Recommendations-ATM-logical-attacks.pdf

[3] https://ysts.org/agenda

 

Integrações

s400

O que um ATM, um lançador de misseis e um sistema VoIP conectado ao ERP (Enterprise Resource Planning) de uma empresa tem em comum? Integrações.

O ATM é um computador ligado a um dispensador de notas e a rede interna do banco.

Um lançador de misseis são computadores e CIs (circuitos integrados) ligando radares, sistemas de lançamento e sistema de comando e controle.

Um sistema VoIP + ERP são computadores ligados a rede E1 de uma companhia telefônica, ao PABX IP (Asterisk, por exemplo) e ao sistema interno de controle da empresa (ERP).

Quanto mais integrações, mais falhas existirão.

Investimento em Defesa Cibernética nos permite melhorar a segurança desses sistemas, achar falhas (que sempre existirão), e no caso dos Red Team, achar meios de explorá-las.

Não importa se a integração faz parte do setor financeiro, civil ou militar – onde tem computadores e CIs, ha chance de penetração, sabotagem e melhoria da segurança.

BSD, o gato

O nome dele era BSD, meu gato de pelagem totalmente preta. O nome completo, sem utilizar o acronimo, ficaria muito dificil de explicar as pessoas, principalmente se nao fossem da mesma area que a minha. Entao so falava BSD.

A vizinha Leila foi quem me deu o gato. O nome dele fui eu quem deu.

O marido da Leila tem uma banda, na epoca, covert do Creedence Clearwater Revival. Fui a alguns shows. Tocam bem. Nao me lembro do nome da banda.

BSD era bem pequeno, recem-nascido, tinha medo de tudo.

A epoca, eu morava no terraco da casa da minha mae, onde quase ninguem ia, por ser no terceiro andar – muito longe!!!

No dia em que trouxe o BSD pra casa, o mesmo ficava escondido num cantinho bem escuro da vasta biblioteca dos fundos – cheia de enciclopedias, almanaques, colecoes do circulo do livro, de Monteiro Lobato, escoteiro-mirim (as BBS e a internet eram coisa “nova”, os mais antigos ainda nao conheciam bem)… BSD miava sem parar, com medo de tudo e de todos os sons. Eu colocava o pratinho de leite dele e deixava ele la, sozinho.

Os dias foram passando, o leite ele bebia, pois eu repunha diariamente. A caixinha de areia eu tambem limpava. O BSD foi crescendo, la no quartinho escuro.

Um belo dia ele coloca a cabeca pra fora, e diz assim, como se estivesse pronto para me conhecer melhor:

-Miau!!!

Eu estou no meu computador Pentium MMX 200Mhz, que era meu firewall e desktop, recompilando o kernel da ultima versao do Linux Slackware, adicionando alguns modulos no meu firewall.

Nessa epoca recompilar o kernel num MMX 200Mhz durava alguns dias, acho que em torno de 2 dias.

Entao o BSD passou a zanzar pelo quarto principal, fora da biblioteca escura, onde antes ele preferia ficar.

BSD se sentava no meu colo, no sofa-cama azul com detalhes de estampa branca. Olhava pra mim enquanto eu programava ou ajeitava as regras do firewall, e passou a dar pulos no meu teclado, acho que pra chamar a minha atencao, e entao aprendi a deixar o prompt deslogado apos sair do quarto (imagina ele dando um rm -rf na raiz sem querer!!!!)

Dizem que gato tem sexto sentido (ou setimo!), o fato eh que se eu chegava um pouco “alto” em casa, ele ficava arisco, miando desafiadoramente pra parede ou pra algum outro canto do quarto. Depois ele ficava melhor quando eu ficava mais sobrio.

Meu firewall ha tempos precisava ser trocado pois ja era bem velhinho, a tampa do computador vivia aberta pra melhor refrigera-lo, o disco rigido, apos pifar uma vez, ja tinha ido pro congelador, envolto em pano e depois em plastico (se nao me engano, tecnica ensinada pelo famoso pesquisador Fabio David do NCE/UFRJ – e pasmem, funciona algumas vezes!!), e o tal HD voltou a vida por mais 2 meses, ate que o grande “acidente” aconteceu – o BSD “mijou” na placa mae, ali, quentinha e exposta pra todos verem. Talvez eu tenha me esquecido de limpar a caixa de areia, talvez ele tenha tido a vontade de experimentar um banheiro novo, mas o fato eh que aquele firewall tinha ido pro ceu dos computadores (muita amonia no xixi de gato, creio!). Ora de montar um novo, com um hardware mais atualizado, e tentar salvar algumas particoes (ext2 ou reiserfs? nao lembro!) do HD antigo.

Um dia chego em casa, e encontro penas espalhadas por todos os lados. No meio do quarto, o corpo de um passarinhho. O passarinho aparentemente entrou pelo vao no alto da porta, bem la no alto, e o BSD com seu instinto de felino cacador, abateu o mesmo, mas nao o comeu – despenou um pouco o coitado do passarinho, e deixou o cadaver do mesmo ali, no meio do quarto. As vezes vinha e dava uma patadinha, como verificando se realmente fez o trabalho completo.

Olhei pro BSD e pensei: – Quanta pena pra varrer, e um corpo pra me livrar! Obrigado pelo presente, filho!!!!

Comecei varrendo as penas da rolinha que estavam espalhadas no chao do quarto, colocando-as na pa de lixo. Entao abri a porta pra varrer o corpo do passarinho pra fora, posiciono a vassoura pra dar um bom impulso, e ao dar a fatidica varrida, o safado levanta voo – estava se finjindo de morto pra nao ser comido pelo BSD!!!

Um dia deixei a porta do quarto aberta, sai de manha para trabalhar, ja tinha caido a noite, e o BSD desceu a escada caracol do terraco, desceu tambem a escada entre o segundo piso e o terreo. Colocou a cabecinha pra dentro da sala, onde se encontrava minha mae, e disse como que se apresentando a uma pessoa que nunca tinha visto:

– Miau

Minha mae se espantou, e gritou pra minha irma:

– Socorro! Tem um gato aqui!!!

Minha irma tranquilizou a mesma:

– Eh o gato do Fabio, fica tranquila mae

– E o Fabio tem um gato desde quando?

– Ha alguns meses, mae. Se chama BSD.

Minha mae nunca gostou muito de animais, com excessao de quando eramos menores, quando tivemos pintinhos, porquinho-da-india, cachorro… a maioria comprada pelo meu pai, ou que permaneceu na casa apenas com o aval do mesmo.

Mas o tempo foi passando, e a senhora foi se afeicoando ao animal.

Comprava brinquedinhos, racao, e todo o tipo de mimos.

Mas nem tudo sao flores, e os sofas comecaram a ser alvos de uma afiacao de unhas sem precedentes por parte do felino. A senhora mae deste que vos relata os fatos, nao ficou muito satisfeita.

Porem a mesma comprou outros mimos, nos quais o felino apreciou afiar as unhas, e os sofas foram esquecidos – para o bem de todos e a felicidade geral da nacao.

Um belo dia o BSD encontrou outro gato maior, macho tambem, e as brigas comecaram.

Quando chegava em casa, ele estava muito sujo e com feridas. Dava banho e colocava ele pra sarar. Ficava bem quietinho por uns dias. Mas ainda assim deixava ele solto – tinha que aprender a se defender.

Num outro dia, apos varias outras brigas, no meio duma tarde em que eu estava trabalhando, minha mae e irma estavam vendo TV na sala, quando um grande clarao apareceu fora de casa.

O BSD tinha caido do terraco, apos uma briga com o outro gato preto, nos fios de alta tensao, causando um grande clarao – resultado do encontro dos fios de energia. O corpo do BSD estava esticado nos fios. Minha mae e irma foram pra fora da casa, e ao mira-lo no estado em que estava, comecaram a chorar vendo o corpo do felino sem vida esticado entre dois fios.

Pegaram um cabo de vassoura pra soltar o corpo do bichano dos fios, da-lo quem sabe um funeral digno. Porem quando cutucaram, o mesmo caiu de patas no chao, e saiu correndo pra dentro de casa – nao sei quantas vidas se perderam no episodio, mas creio que pelo menos umas 3 das 7 tenham ido embora, na ocasiao.

Um dia o BSD nao apareceu mais aqui em casa. Talvez tenha encontrado uma felina atraente e formado familia, talvez tenha sido alvo de alguma comida envenenada, ou entao alguem decidiu adotar o mesmo.

Tchau, BSD!!!

Alemanha – Parte II

paulaner

Apos alguns dias morando com Mara, fui para um hostel.

A região não era das melhores, mas as acomodações eram boas e limpas. O hostel era bem grande, tinha bar, lounge com TV e quartos individuais na parte em que era hotel. Ficava sempre cheio, e nas ocasiões em que havia reuniões de negócios ou festivais na cidade de Frankfurt, nenhuma vaga podia ser encontrada.

Possuía uma casa de assistência a dependentes químicos ao lado, mantida pelo governo, para que os dependentes tivessem acesso a seringas limpas, ao básico de higiene, e a um quarto temporário para que não utilizasse as substancia na via publica.

Nas ocasiões em que houve algum encontro entre “Os vizinhos” da casa de assistência ao lado, como ao comprar mantimentos ou ir ao metro, pude perceber que eram em geral educados, respeitosos e integrados a sociedade. Podíamos perceber que havia algo fora do normal ao observarmos a pele, unhas ou vestimentas dos mesmos, que na maioria das vezes se encontravam em estado ruim de conservação.

Muitas das pequenas cadeias de mini mercado pertenciam a indianos, paquistaneses ou turcos. Geralmente 2 pessoas nos caixas. Um australiano mostrou que a pechincha era a regra nos países desses imigrantes, e que sempre que os visse, tentasse obter algum desconto nos produtos. O sobrepreço nas mercadorias já esperava que você fizesse isso.

Mara viajou para a Itália de ferias com uma amiga, nos falávamos via Skype ou WhatsApp. Algumas mensagens não entregues ocasionaram mal-entendidos e brigamos.

De volta ao hostel, enquanto trabalhava num projeto relacionado a antivírus para um contratante anonimo baseado na Turquia, conhecia outras figuras um tanto quanto singulares.

Um australiano em particular que demonstrava ter conhecimento acima do normal sobre minhas convicções politicas e meus negócios de programação, relatou sobre os lugares por onde morou e demonstrava interesse no trabalho que eu estava fazendo.

O australiano tinha um interesse em particular em relatar as características negativas da Rússia, tendo dito que ja tinha morado la, namorado garotas do local, e seu negocio não tinha dado certo, por isso continuou viajando para procurar negócios, mas deixou uma filha pequena esperando por ele.

Fui capaz de dissuadi-lo como sempre, com uma boa conversa e vodka.

Com um professor de Marraquexe tive conversas interessantes sobre historia, costumes e religião, apesar do mesmo permanecer pouco tempo no quarto. Ao final das conversas tive um convite para visitá-lo e tomar um cafe com o mesmo na sua terra, porem outras circunstancias me levaram a adiar o convite. Segundo o mesmo, o hashish do lugar era um dos melhores do mundo, e era comum fumá-lo.

Nas feiras de alimento na rua pude provar diversos tipos de linguiças, pães, cervejas e outros alimentos de produtores locais. Acontecia uma vez por semana, aos sábados.

Num pub irlandês, observei uma cubana sozinha entrar, eramos os 2 únicos negros do local, e alguns alemães já um pouco embriagados começaram a cortejar a mesma.

Um grupo de soldados americanos estacionados em Ramstein, entrou no pub. Tinham uma alemã de guia. Tivemos uma conversa acalorada sobre politica, com visões antagônicas. A conversa quase evoluiu para confronto físico, mas a guia alemã interviu e os mesmos deixaram o pub. As coincidências aumentavam, mas minhas saídas pela tangente que sempre funcionaram, não me deixaram na mão. Como um homem de exatas, não acredito em coincidências.

Iria acontecer um festival techno fora da cidade, por isso o hostel ficou cheio. Duas romenas que tinham em torno de 23 anos estavam no lobby para dar entrada no quarto, perto de onde eu tomava uma paulaner. O pai as tinha trazido e ajudava com as malas, mas dava pra perceber que não ficaria hospedado. Puxei conversa – deveria ter esperado. Foram simpáticas, o pai nem tanto, e chegou a perguntá-las se eu as estava incomodando. Elas negaram, estavam se divertindo com a conversa. Mesmo assim achei salutar deixar as duas pra depois e dei tchau.

Um grupo de espanhóis chegou ao local, provavelmente para o festival, e pareciam ser do tipo que festeja muito.

A sacada do quarto em breve seria tomada por uma nevoa densa de fumígenos e algumas boas risadas.

Mara retornou das ferias, conversamos e resolvemos o mal-entendido. Começamos a procurar um apartamento para mim e achamos.

Alemanha – Parte I

dildoparty

Dildo Party in Germany

Alemanha, estava em Berlim. Telefonei para ela, quem vou chamar de Mara, que conheci num pub na sua ultima noite na Itália na semana anterior, apos alguns drinks e beijos do lado de fora.

Apos chamá-la pra tomar um drink por email, descubro que me enganei (provavelmente pelo álcool quando a conheci), e que ela morava na verdade em Frankfurt, e não em Berlim.

Conheci algumas pessoas neste hostel, a maioria imigrantes vindos de países árabes e que tinham conseguido trabalho apos chegar na Alemanha.

Me arrumei e fui para Frankfurt de ônibus, a viagem durou quase a noite toda.

Ao chegar, me hospedei num hotel próximo ao grande terminal ferroviário, sai e comprei algumas garrafas de vinho para dar de presente, e observei uma grande quantidade de imigrantes, na sua maioria turcos.

Telefonei e obtive o endereço da senhorita que ate então só tinha trocado alguns beijos e relatos mais “apimentados” do que poderíamos fazer um com o outro. Obtive seu endereço, dei baixa no hotel, e entrei no táxi.

O bairro era bem arborizado, próximo a um aeroporto, tinha comercio e caixas eletrônicos bem perto.

Ela me recebeu, demos um beijo, e me convidou para entrar.

Eu cheguei sem avisar na Alemanha, como fazia quase sempre, decidindo o próximo pais apenas 1 dia antes de sair do que estava. ela estava preparando uma festa para umas 15 amigas, já tendo tomado banho no hotel, me troquei e comecei a ajudar preparando os canapês, salgadinhos, e outras comidas na cozinha.

Entreguei as garrafas de vinho que comprei como presente, e para o meu desprazer, ela me relembrou que já tinha me dito que não tomava vinho, mas apenas espumante. O vinho ficou para mim e para as convidadas da festa.

Antes das outras mulheres chegarem, ela me avisou que precisaria consultá-las sobre a minha presença, pois era uma “Dildo Party”, que eu ate então desconhecia. Caso eu fosse declarado “persona-non-grata”, deveria ter que passear na rua ate que a festa acabasse.

Tratava-se de uma demonstracao em que uma vendedora de artigos eróticos apresentava os acessórios (vibradores, cremes, óleos, chicotes, etc) para as participantes, que provavam os mesmos, e compravam o que gostavam. Claramente nao era uma festa em que se supunha a presença masculina.

As colegas aceitaram minha presença, e eu fiquei para também ver os artigos eróticos.

No inicio houve falta de comunicação com metade delas, pois apenas metade falava o inglês, o resto apenas alemão.

Apos algumas apresentações de cremes e vibradores, que percorriam as mãos das participantes que estavam dispostas em formato de U na sala, sendo eu o ultimo a provar os cremes ou segurar os produtos, percebi que a metade com a qual eu não me comunicava também falava italiano, então o clima melhorou, pois consegui a partir de então falar com todas elas.

Uma hora a vendedora apresentou um grande vibrador preto, e as italianas rapidamente exclamaram: “Questo e tuo Cugino”, e todos rimos da referencia indicando que era meu primo.

Outra hora a vendedora apresentou um outro creme, dando as instruções apenas em alemão, o creme foi passando de mão em mão, ate chegar a mim, que lambi o mesmo para provar. Todas gritaram para eu parar, pois tratava-se de um creme apenas para passar na pele, e que não era comestível. Ainda com a língua de fora fui ao banheiro e lavei a boca, esperando que não tivesse sido envenenado por um produto de sex shop.

A demonstração segui com uma apresentação de vários itens mais como chicotes, velas aromatizantes, camisinhas com gosto e fluorescentes.

Varias das mulheres compraram produtos diversos, fiquei sabendo depois que a performance sexual dos homens alemães em geral não as deixavam completamente satisfeitas.

Apos muito vinho e espumante, comecei a ficar com um pouco de sono. Fui ao banheiro varias vezes lavar o rosto. A viagem de ônibus não tinha sido muito longa, e não dormi tanto quanto esperava.

A apresentação terminou, as amigas começaram a ir embora, ate que apenas uma ficou. Ela morava relativamente perto, e continuamos nos 3 a conversarmos. Ela não percebeu muito que gostaríamos de ficar a sós, voltei ao banheiro e lavei o rosto mais vezes, tomei mais vinho, ate que a mesma foi embora.

Mara disse que entenderia se eu quisesse ir direto dormir, mas eu relutei. Tinha viajado muito longe para ir apenas dormir, e estava ansioso por sentir o gosto e a textura daquela alemã.

Terminamos na cama, comecei com caricias e sexo oral como sempre, chegamos umas 2 vezes ao orgasmo, e então desabei. Acordei no dia seguinte, continuamos mas dessa vez mais lentamente. Ainda estava aprendendo os pontos dela, a sensibilidade do seu órgão sexual, a velocidade e os limites dos orgasmos de Mara.

Fomos tomar cafe num restaurante próximo…

Cigarros, violão e um semi-beijo

violao

Alemanha, de noite. Era um trabalho “cinza”. Um cliente pediu por um framework Python, pagou 50% em avanço como sempre, em BitCoin, o resto seria pago apos a finalização da ferramenta.

Eu abri uma garrafa de vinho comprada de tarde, num Penny market no final da rua, e comecei a programar.

A programação estava indo ok, depois de mais ou menos 10 imports e umas 300 linhas de código meu cigarro acabou. O quarto tinha sido alugado recentemente, eu não conhecia muito a respeito das redondezas.

Sai na rua, bem deserta, estava um pouco frio, estava cruzando um parque escuro, quando vi uma mulher nos seus 23 anos, cabelo castanho e olhos claros. Violão nas costas.

Achei que ela teria medo de mim, um desconhecido chegando do nada, mas me surpreendi. O lado positivo de uma sociedade quase sem violência, eh que te permite conhecer mais pessoas sem muita preocupação.

Me aproximei e dei boa noite em inglês, ela respondeu. Perguntei se ela conhecia algum lugar que vendia cigarros ali perto, pois tinha acabado de me mudar para li recentemente. Ela falou que sim, no caminho ela conhecia, e que me mostraria.

Perguntou de onde eu era, falei do Brasil, ela gostou, e me perguntou o que eu fazia. Falei que programava computadores e cuidava de servidores, e viajava enquanto isso, 3 meses em cada pais, as vezes mais.

Perguntei sobre ela, disse que estudava, e que voltava de uma aula de violão, com amigos. Perguntei se ela já tocava bem, disse que sim, eu disse que gostava de ouvir violão e ela riu.

O contato dos olhos aumentou enquanto caminhávamos, e rimos. Falei que ela era muito bonita, e ela agradeceu.

Chegamos na porta do pub, ela parou e me olhou, sem dizer nada. Eu sabia que ela esperava um convite para uma cerveja ou um cafe, talvez um vinho no apartamento. Mas a culpa foi mais forte, pois eu estava começando a namorar outra garota.

Falei obrigado, ela não respondeu, fui beijá-la como me despedindo, apertei sua mão, e ao invés da bocheca, peguei metade dos lábios dela também. Acabei de beijá-la, disse tchau, ela disse tchau e não se mexeu. Entrei no pub. Olhei para trás e ela continuava la. Me virei ao barman, pedi os cigarros e paguei. Me virei de volta e ela tinha ido embora.

Lack of Action

dirtycomputer

Adrenaline can be addictive. When you are engaged with multiple teams in various countries, lots of languages and cultures, in various operations, you can feel the real meaning of adrenaline.

Its almost the same with praying for God, good wine, cheese and olive oil, great sex (bcz even bad sex is good!) and psychotropic substances – you feel alive, part of something bigger. I believe Nietzche said something about it.

The most interesting part is the process of creating new things – be it code, tools, procedures or seeking a person responsible for an specific part of the job.

Sometimes the right person for the right job lives in other continent with a completely differente timezone, habits and schedule. Sometimes you will never know their names, just the roles they will play.

The audition is an important part of the process. Trust and loyalty are acquired slowly. Adjustment is needed from time to time.

Successful operations depends on the coordination of teams to achieve a certain goal. Most of the times the teams dont need to know they work with each other, some may believe they work against each other. Compartimentalization.

Cyber is no different than real world action. It must be hard for officers to leave duty or retire, they will certainly lack the planning, hands-on, action, adrenaline, new products being developed while the operation goes on.

I miss the action.

Tango – 2/2

tango

I returned home and found all my stuff there (thank God!), she was there also. We started to have sex daily, sometimes 3 or 4 times a day. I would look to her or she would look at me, and we just knew. We tried all the rooms and furniture, the hammock, the floor, tables. I could lick her for a long time. I miss that I didnt tried anal sex with her.

After a week she told me she had a friend back in Argentina, that almost every monday would visit the gynecologist complaining about cystitis. The doctor would ask her how was her weekend, and of course she had plenty of sex during it. She told me she was feeling like the same, and we need to take a break from each other, otherwise she would get sick. So we took a break for some days, and restarted.

I was always wearing a condom, but one specific time she asked me to remove it, she would like to feel my skin inside her. We did it just once, and I am quite sure I dont have a son/daughter back in Argentina, otherwise she would have contacted me (I believe so!) about it.

1 week turned into 2, we started sharing cooking, cleaning, improved sex, slept together in the same bed. We didnt cuddle much, it was more like pure sex. I started to feel a bit more for her, but I knew I couldnt. Two weeks turned into three.

She asked me if a girl friend of her from Argentina could come over, I said sure, and asked if there was any problem with bringing a friend of mine, so the two could meet and maybe.. dunno.

Her colleague came over, she thought it would be better if we didnt stayed together while her friend was there. We tried to hook up my friend and hers, started working out but didnt happen.

She said she needed to leave, I was sad. She have been there for a month. Took her to the bus station, asked for a last kiss, she said it was better not.

She left. I kept coding, cooking, watering the plants. Somehow I was less lonely.